Confessa
Mas eu sei que lá dentro de ti mora alguma coisa. Que tu
escondes. Da qual tu foges. Que tu finges que não vê. Que tu achas que não é
teu. Que tu tentas ignorar. Mas que te perturbas.
Diz como é, fingir diariamente?
Fugir do que vem de dentro?
Deve ser difícil. Apostaria até num prêmio Nobel da abnegação
e da benevolência pra ti.
Quando a humanidade souber da tua bem feição, há de te
conceder esse prêmio.
Cá entre nós, confessa...
Confessa que por trás dessa máscara que tu vestes existe
alguém que quer viver sem esses poréns todos.
Existe alguém com vontade de chutar o balde, largar tudo que
tu finges gostar, que tu finges querer.
Confessa que quando tu escutas uma música, sentes um cheiro, vais em algum lugar a que fomos,
faz algo do que fazemos, tu lembras!
E na lembrança tu pensas...confessa!
Tu pensas em tudo que
éramos e tens uma vontade de voltar a
ser.
Tu queres rasgar esse
personagem que há muito tempo vem vestindo, jogar longe essa máscara que te
deixou assim. Desfigurado. Irreconhecível, digo até.
Confessas que quando deitas a noite no teu travesseiro vem a
tua cabeça todos os momentos que estas perdendo ao meu lado.
Confessa que ainda tens meu número armazenado.
Que passa
alguns minutos com ele na tela do teu celular pensando em ligar.
Que lê as mensagens que te mandei.
Aposto, que guardas as
cartas que te escrevi. E se quiser, posso dizer até onde estão.
Confessa que ainda sorri de uma piada minha, que ainda conserva aquela frase que eu inventei só pra ti.
Confessa que tu sentes saudades de não ter que sentir saudades e de poder me ver quando queria.
Confessa que sente falta do meu corpo, do meu beijo, meu abraço e meu carinho.
Confessa que teu mundo tá vazio sem isso. Sem aquilo que morava entre nós.
Confessa que é difícil ficar sem me ver, sem ouvir minha voz. É difícil ficar sem contato com o teu próprio eu.
Confessas que tu não confessaria nada disso. Porque teu
orgulho é maior.
Porque a tua mentira precisa ser sustentada.
Confessa que não tem nada que possas confessar...
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