Devaneios
Não falo mais sobre a
gente com ninguém.
Não menciono mais seu nome aos meus amigos.
Não digo nada quando uma situação relembra você.
Faço que não te conheço quando alguém toca no teu nome.
Meus amigos pensam que eu tô em outra. Que mudei de fase.
E ainda comentam: “ que bom que você está melhor assim.”
Eu dou um sorriso meio amarelo e balanço a cabeça de forma
positiva.
Às vezes, até digo algo animador como: “foi melhor assim”,
“não ia dar certo.”
“Puff, como você é ridícula” pense de mim nessa hora.
“A quem quer enganar? Pois engane a todo mundo que quem sabe
assim você acredite.”
Os outros não sabem o quanto você ainda existe pra mim.
Ninguém aguenta mais ouvir falar de ti.
Todos já se cansaram dessa nossa história sem fim.
Eles comoveram-se quando ela acabou, alguns – sim!- alguns
até sofreram comigo – e contigo.
Mas eles seguiram suas vidas. Fizeram seus novos planos. Não
lembraram mais disso.
E eu? E você?
Certamente também. E também não.
Só eu sei à noite no meu travesseiro o tamanho do nada que você
me causa.
Só eu consigo te enxergar nos meus detalhes. Te ler nas
minhas entrelinhas.
É isso que dói mais. Ver você em mim. E não ser parte de ti.
Eu, às vezes, ainda me pego pensando: eu trocaria muito pra
te ter.
Eu não me importaria em perder, abrir mão. Quem quer ganhar?
Ganhar o quê?
Essa coisa que eu
falo pra mim e pros outros que eu engano: “assim não atrapalha meus planos”,
“Desse jeito é melhor porque eu sigo a minha vida como planejei”.
Isso é só um meio de justificar. Um meio de não dar espaço
pra loucura. Um jeito de viver a vida de uma pessoa normal.
Eu só me queria com você.
Parece um desejo simples pra se fazer ao universo.
Parece uma vontade besta, barata que ele facilmente poderia
atender.
Parece.
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