Pelo direito de escolha




Mais um dia das mães. Escrevi um texto-homenagem sobre isso ano passado.
Esse ano não quero parabenizar e sim, refletir. Falar sobre a escolha de ser mãe.
Não disponho de dados concretos, mas, através de uma breve análise, me arrisco a dizer que a maioria das mães não pensou em ser mãe antes de ser. Algumas foram mães muito cedo, outras foram mães por conta de um desejo em determinada fase da vida. Uma boa parte é mãe pra cumprir um papel social. Quantas dessas mães que aparecem hoje aí em fotos com seus filhos, escolheu ser mãe?
E quando digo escolher, me refiro a pensar sobre, medir consequências, determinar possíveis quadros e tomar uma decisão favorável. Pensar em como deverá educar, a que irá se submeter e submeter a vida que nem nasceu ainda. Por certo, poucas pessoas tem essa prática. E ai vem a história que toda mulher é pronta pra ser mãe , que basta pegar a criança no colo para despertar o tal "instinto materno" e voilà, a mãe ja sabe fazer uma mamadeira, trocar uma fralda, parar um choro.





Ser responsável por uma vida é uma tarefa e tanto. E nenhum ser humano nasceu pra isso. Que fique claro, aliás, não nascemos para coisa alguma .
Desde cedo a mulher é preparada pra ser mãe. Instruída a ser mãe. Cobrada a ser mãe.
E o que acontece quando alguém decide ao contrário?
Não quero ser mãe. Já quis um dia por pura convenção social. Eu não quero ser mãe porque eu já pensei muito à respeito, cheguei a conclusões e tenho vários argumentos que justificam a minha posição. E sabe o que acontece? Sou julgada por isso. De forma negativa. Dizem que eu vou mudar de ideia, que toda mulher quer ser mãe um dia. Que eu vou ficar sozinha, que não vou ter um propósito na vida (esse é um absurdo tremendo, afinal que direito tenho eu de colocar meus propósitos sob responsabilidade de quem nem nasceu ainda) e a mais clássica de todas, que não encontrei um pai pro meu filho.
Mas,o que me incomoda mais nem é o fato de como reagem à respeito, mas sim, o fato de que a maioria não considera isso como uma escolha válida, visto que em quando uma mulher engravida ninguém quer saber se ela escolheu ou não. É sagrado. É uma bênção. Ela vai ter um filho, agora tem um papel importante na sociedade. Mesmo que venha a ser uma mãe de merda, ainda assim é uma mãe. E isso é louvável. Ter tido um ou mais óvulos fecundados, parir um filho, dar leite, meia dúzia de conselhos, um monte de traumas e postar no facebook o quanto foi difícil tudo isso, é muito admirável.




Percebem a discrepância?
Parabéns às mães que mesmo não escolhendo aceitaram a tarefa e dão seu melhor. Parabéns as que escolheram. Parabéns as que não escolheram.
Pelo direito de escolha.

Comentários

Postagens mais visitadas