A medida da vida



A vida revela-se a nós como grande e pequena, todos os dias.
É difícil compreender suas proporções.
É complicado lidar com seus limites, tão tênues.
Há inúmeras formas de morrer. E pouquíssimas formas de viver.
Cem anos podem ser encarados como pouco para ver e viver tudo que se quer. 
Ao mesmo passo em que é muito tempo. De sobra.
E dentro desse tempo, cabe muita coisa. Mas também cabe quase nada, se assim desejar.
A duração exata de um minuto não é muito grande, diríamos. Tampouco relativa ao que você fez com ele. Fez nele. Fez dele. Um minuto são 60 segundos. Qualquer minuto nas 24 horas de um dia, dura exatamente o mesmo tempo.
Mas a percepção daquilo que sentimos nesse minuto é que nos diz se ele será eterno ou se terá apenas, seus 60 segundos normais.
Por isso, às vezes, ele nos parece passar tão rápido e, às vezes, tão devagar.
Impressões que distorcem o tempo em que as coisas realmente acontecem: o mesmo.
Você deve estar dizendo: “Ah, segundos são muito curtos não dá pra pensar o que fazer com eles”. Realmente, mas uma hora tem uma porção deles. Uma hora é construída através desses segundos. Então, mesmo curtos, são fundamentais.
O tempo é efêmero. Ele foge das nossas mãos, como água escorrendo. E ele não volta. seus estados não são físicos. /e mutável, só o presente. Não dá pra recuperar o minuto que passou. Mas acumulado, ele figura como matéria prima da nossa história.
Dessa forma torna-se necessário problematizar o que estamos fazendo com os nossas horas, minutos e segundos. Quando podemos escolher o que fazer neles, pelo que optamos?
Aliás, quais as situações em que realmente não temos escolha?
Algumas escolhas acarretam consequências e nos levam à caminhos durante toda a vida. E a gente se pergunta: “E se eu tivesse feito diferente?”. Claro que seria diferente. Mas diferente, não quer dizer melhor ou pior. Outras escolhas nos soam tão insignificantes que ali à diante, nem lembramos mais delas, tampouco as mantemos.
A vida e seu jogo de quantidades. A vida e seus caminhos.
Mas a vida não faz nada. A gente é quem faz. Ou deixa de fazer.
As nossas escolhas podem nos definir, temporariamente ou por um longo tempo. Pra sempre? Do nosso ponto de vista, isso nem existe. Não detemos a eternidade.
O que intensifica aquilo que escolhemos é a atitude de nos mantermos na escolha.
Enfim, a vida não é feita de escolhas, mas do ato de escolher. Continuar optando pelas escolhas feitas. Ou mudá-las. Isso define quem somos, quem fomos e quem um dia, seremos.

Comentários

Postagens mais visitadas