Eu faço tudo que eu posso, mas ainda desaponto o time.
Não sou um bom jogador.
Faço gol contra nos clássicos. Sim, justo nos clássicos.
Complico a zaga quando o adversário ataca. E aí eu me irrito, brigo com o juiz, xingo a torcida.
Mas eu sei que os erros são meus. E ninguém sabe a batalha que travo em mim.
Só dou passes errados.
Eu nunca escuto o que o treinador me diz. Ele repete todo dia. Nós treinamos juntos, todo dia.
Sozinho eu revejo as estratégias, imagino as melhores jogadas. Treino minha mente.
Mas quando chega a hora do pênalti, eu chuto fora.
Não me dou bem em campeonatos mata-mata. Não consigo matar nada. Mesmo tendo tentando mil vezes. Quem sabe nos pontos corridos? Somando poucos pontos, pouco a pouco.
Sou expulso quando preciso ficar e perseverar na luta. Tomo cartão quase todo jogo. O treinador me alerta: vai ficar de fora!
Quem disse que eu me importo? Quem disse que eu aprendo?
Não faço jogadas ilustres, não sou artilheiro. Marco quase nenhum gol.
Não sou talentoso, grande jogador, daqueles que um dia será vendido por bilhões. Jogo num time mediano, mas com uma torcida fiel. Eles, apesar de tudo, confiam no meu esforço.
Não falto nos treinos, não faço bebedeiras, vou às concentrações.
E eu juro: dou o melhor de mim.
Mas eu ainda desaponto o time.
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