Página em branco. Encaro o cursor piscante à minha frente. Insistente. Irritante. Constante.
Tenho a impressão que ele começa a piscar cada vez mais rápido, exigindo letras, sílabas, palavras.
Começo a escrever. Penso em uma pauta: pertinente, interessante. Polêmica, quem sabe, que provoque debates.
Meus dedos tocam o teclado. E então como se existisse algum encanto, alguma mágica nesses botões.
Mesmo meus dedos insistem. Eles estão acostumados à  tua presença. Não me obedecem. Eles me traem.
 Logo soltam letras e essas formam palavras que só sabem falar de uma coisa: você.
Você! Que não merece mais uma estrofe da minha poesia triste.
Nem uma mísera rima fraca do meu poema.
Nem qualquer frase do meu pensamento errante.
Você não merece nem a mais simples nota da minha música.
Nem sequer um verso solto na minha prosa.
No entanto, é sempre você. Sempre pra você. Sempre por você.
Você já ultrapassou todos os caracteres. Ocupou toda a minha memória.
Não cabe mais em mim.
Esse é meu jeito de te mandar embora, de extravasar você.
Escrever você é meu jeito, mais dolorido, de te dizer adeus. De esvaziar meu eu.
O dia em que meus dedos se afastarem dos teclados, que meu lápis silenciar, minha caneta não terá mais tinta, meus papéis estarão todos ocupados, com estrofes e mais estrofes pra você.

Nesse dia não vai sobrar em mim, nem um pingo de ti. Nesse dia, pode crer que eu te esqueci.

Comentários

Postagens mais visitadas