A última carta
A última carta
Olá. Essa é a última carta. A última vez que te escrevo. E ao contrário das outras, essa não possui dizeres de amor de esperança, de trechos musicais, de poesia. Essa não tem frases carinhosas inventadas por mim, nem de suporte e auxílio aos teus problemas. Essa é de desfecho. Aquele que tu solicitou ainda quando eu não estava pronta para dar fim à isso.
Finalmente recuperada da tempestade que passou na minha vida, assolou tudo que tinha pela frente,levantou a terra, revirando, revoltando, fazendo a poeira espalhar-se pelo ar, levando tudo que criou raiz, amassando tudo que estava inteiro, arrastando tudo que era tão leve.
Passou, juntamos os cacos, recompomos. Da conta final: o que restou?
Olá, agora falarei com propriedade já que absurda consciência toma meu ser e lágrimas quentes não molham mais meu rosto, borrando a maquiagem que sempre carrego aqui.
Não caem mais as lágrimas que borram o papel onde escrevo, deturpando palavras e embaçando sentimentos, impossibilitando-nos de vê-los como realmente são.
Não treme mais minha mão ao segurar a caneta que presenciou início, meio e fim.
Eu antes escrevi. Diversos textos, diversos dizeres. Todos traduziram a frequência da minha alma, o momento em que eu me encontrava.
Agora escrevo com a consciência de muitas coisas das quais antes eu não percebi.
Eu precisava desse tempo, passar por estas fases. Respeitar meus limites, meus sentimentos. Queria ter te escrito isso antes, acredite. Mas foi preciso desfazer todos os laços, nos desfazer. Eu desfiz nós e isso me doeu. Doeu em você também?
Foram dias estranhos, tinha a sensação de estar vivendo num universo paralelo. Tenho a sensação que não dormi por todo esse tempo, mas mesmo assim, agora eu acordei.
Porque hora ou outra a gente se acostuma né? A gente precisa se acostumar com as ausências, com as presenças impostas, com os dias de sol, com os dias de chuva, com o tempo que se arrasta e também quando ele passa tão rápido. As estações mudam, mudam as circunstâncias, alteram-se as prioridades. O tempo é sempre tão paradoxal. A vida na verdade, é um eterno acostumar-se.
De uns dias pra cá, eu tenho sentido menos. Pensando menos. Entendido mais. Porque uma hora eu sabia que acordaria e não teria mais aquilo que me prendia à ti. A vida tem disso. E isso é encantador. Assim simplesmente, num piscar de olhos, a gente não sente. Não incomoda, não lateja, não está mais ali. Ficou guardado em alguma gaveta. Porque uma coisa dentro da gente sempre sabe quando termina.
Primeiro eu senti muito, depois eu senti falta, agora eu não sinto nada. A dor? Eu e ela somos íntimas, nos conhecemos bem. Acostumamos-nos uma com a presença da outra. Talvez seja por isso que sei lidar com ela.
E se me perguntar como estou eu direi que estou indo. Pois é isso que as coisas fazem na vida, elas vão. Elas precisam ir, e eu , estou indo também.
Aliás, sinceramente, estou bem. Tenho me divertido horrores, tenho conhecido gente, tenho tido experiências novas e muito proveitosas, tenho me descoberto em tanta coisa que eu não sabia que faria parte de mim. Tenho me encontrado,tenho me libertado, tenho me compreendido, tenho me amado. Estou com uma consciência absurda de mim, de tudo que envolve a minha vida. Tenho definido metas, tenho estado feliz, na maior parte do tempo. Pois tudo aqui é feito de verdades e o mais importante: não tenho me traído.
Agradeço toda essa oportunidade incrível que vivenciamos. Cada detalhe, cada sorriso, cada momento alegre. Agradeço por esse sentimento ter existido entre nós. Sempre será especial pra mim.
Então é isso, te libero de toda e qualquer responsabilidade. Fica bem, fica feliz. Eu estou.
Espero que você sinta a minha falta tanto quanto eu não sentirei a sua.
Cuide-se sempre.
Anelise Passos
Olá. Essa é a última carta. A última vez que te escrevo. E ao contrário das outras, essa não possui dizeres de amor de esperança, de trechos musicais, de poesia. Essa não tem frases carinhosas inventadas por mim, nem de suporte e auxílio aos teus problemas. Essa é de desfecho. Aquele que tu solicitou ainda quando eu não estava pronta para dar fim à isso.
Finalmente recuperada da tempestade que passou na minha vida, assolou tudo que tinha pela frente,levantou a terra, revirando, revoltando, fazendo a poeira espalhar-se pelo ar, levando tudo que criou raiz, amassando tudo que estava inteiro, arrastando tudo que era tão leve.
Passou, juntamos os cacos, recompomos. Da conta final: o que restou?
Olá, agora falarei com propriedade já que absurda consciência toma meu ser e lágrimas quentes não molham mais meu rosto, borrando a maquiagem que sempre carrego aqui.
Não caem mais as lágrimas que borram o papel onde escrevo, deturpando palavras e embaçando sentimentos, impossibilitando-nos de vê-los como realmente são.
Não treme mais minha mão ao segurar a caneta que presenciou início, meio e fim.
Eu antes escrevi. Diversos textos, diversos dizeres. Todos traduziram a frequência da minha alma, o momento em que eu me encontrava.
Agora escrevo com a consciência de muitas coisas das quais antes eu não percebi.
Eu precisava desse tempo, passar por estas fases. Respeitar meus limites, meus sentimentos. Queria ter te escrito isso antes, acredite. Mas foi preciso desfazer todos os laços, nos desfazer. Eu desfiz nós e isso me doeu. Doeu em você também?
Foram dias estranhos, tinha a sensação de estar vivendo num universo paralelo. Tenho a sensação que não dormi por todo esse tempo, mas mesmo assim, agora eu acordei.
Porque hora ou outra a gente se acostuma né? A gente precisa se acostumar com as ausências, com as presenças impostas, com os dias de sol, com os dias de chuva, com o tempo que se arrasta e também quando ele passa tão rápido. As estações mudam, mudam as circunstâncias, alteram-se as prioridades. O tempo é sempre tão paradoxal. A vida na verdade, é um eterno acostumar-se.
De uns dias pra cá, eu tenho sentido menos. Pensando menos. Entendido mais. Porque uma hora eu sabia que acordaria e não teria mais aquilo que me prendia à ti. A vida tem disso. E isso é encantador. Assim simplesmente, num piscar de olhos, a gente não sente. Não incomoda, não lateja, não está mais ali. Ficou guardado em alguma gaveta. Porque uma coisa dentro da gente sempre sabe quando termina.
Primeiro eu senti muito, depois eu senti falta, agora eu não sinto nada. A dor? Eu e ela somos íntimas, nos conhecemos bem. Acostumamos-nos uma com a presença da outra. Talvez seja por isso que sei lidar com ela.
E se me perguntar como estou eu direi que estou indo. Pois é isso que as coisas fazem na vida, elas vão. Elas precisam ir, e eu , estou indo também.
Aliás, sinceramente, estou bem. Tenho me divertido horrores, tenho conhecido gente, tenho tido experiências novas e muito proveitosas, tenho me descoberto em tanta coisa que eu não sabia que faria parte de mim. Tenho me encontrado,tenho me libertado, tenho me compreendido, tenho me amado. Estou com uma consciência absurda de mim, de tudo que envolve a minha vida. Tenho definido metas, tenho estado feliz, na maior parte do tempo. Pois tudo aqui é feito de verdades e o mais importante: não tenho me traído.
Agradeço toda essa oportunidade incrível que vivenciamos. Cada detalhe, cada sorriso, cada momento alegre. Agradeço por esse sentimento ter existido entre nós. Sempre será especial pra mim.
Então é isso, te libero de toda e qualquer responsabilidade. Fica bem, fica feliz. Eu estou.
Espero que você sinta a minha falta tanto quanto eu não sentirei a sua.
Cuide-se sempre.
Anelise Passos
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