Do que fomos: nós.

E de novo cara a cara com você.
Ou não seria você? Ou não sou mais eu?

Quem somos? Um dia fomos?

Você, um dia... esteve aqui.
Eu fiquei, você foi.
Você me olha e finge não ver.
Você me toca eu pareço não sentir ou talvez até finja não sentir.
Eu te toco, você finge não estranhar.
Eu respiro e por pouco não te mato.
Você suspira e tenta me reviver. Reviver-nos.
Te olho tentando buscar vestígios.Sinais do que não existe mais. Estranho esses olhos, nos quais um dia me reconheci, me vi.
Você me abraça, eu sinto frio. Nos teus braços não sinto mais o calor que emanava da alma. Ali tudo já está gelado. Petrificado.
Você me beija, meus lábios tão frios, congelam. Uma defesa.
Uma maneira de amenizar o sentir.
Você me toca, não sinto nada. Estratégia para amortecer aquilo que vibra escondido em algum lugar, sepultado no peito.
Afinal de contas , meu bem: fui eu ou foi você? Quem mudou?
Quem desatou esse laço que nos unia?
Se é que algum dia existiu algum nó, algum nós.
(Anelise Passos)

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