A (des) procura perfeita
E ninguém melhor
que Martha Medeiros para me ajudar a finalizar esse texto que foi tão
desafiador pra mim.
Após conversar com pessoas que considero
especiais na minha vida sobre o assunto, de forma providencial apareceu-me na
frente esse trecho muito bem pensado que a Martha Medeiros publicou em sua
coluna semanal em Zh;
Extraído da crônica: O fascínio chamado Amor.
[...] uma frase que me fez pensar: “Amar é encontrar aquilo que não se procura”. E subitamente lembrei daqueles que se produzem no sábado à noite para sair em busca de paquera, de quem se vale do aplicativo Tinder na esperança de achar sua cara-metade, de quem se matricula em todos os cursos prevendo que dali será pinçado um candidato a marido ou a esposa, de quem pede aos amigos para que lhe apresentem solteiros e solteiras à disposição, lembrei de todas as artimanhas justas e válidas para que a pessoa se recoloque no mercado amoroso, numa ânsia também justa e válida de preencher seu vazio emocional – só que o justo e o válido não são mágicos.
Aquilo que vem por encomenda, atendendo a pedidos, pode, claro, satisfazer plenamente seu desejo. Quer casa, comida e roupa lavada? Tem quem ofereça. Quer companhia para o cinema? Aos montes. Quer sexo e nada mais? Comece a distribuir senha. Se você está consciente do que procura, encontrará alguém que se encaixe no seu ideal de relacionamento. Funciona mais ou menos como uma entrevista de emprego.
Justo e válido.
Porém, amar é encontrar aquilo que não se procura. Aquilo que surge sem explicação, que não tem lógica, e contra o que não adianta lutar: nenhuma resistência é suficiente. Amar é puro fascínio. Você cruza com uma pessoa que talvez nem equalize com seus sonhos, mas é com ela que se deu o click, o curto-circuito, que algo foi despertado. A mágica está no que não veio por encomenda, nem atendendo a pedidos, nem no momento certo, nem mesmo pegou você de banho tomado – é um flechaço do Cupido, que às vezes é ruim de mira, mas ao menos tem boa intenção.
Esqueçam um pouco de si mesmos. Permitam-se parar de querer, de procurar, de se preocupar. Sem planos e sem ânsia, aguardem calmamente a chegada do que nunca pediram.
[...] uma frase que me fez pensar: “Amar é encontrar aquilo que não se procura”. E subitamente lembrei daqueles que se produzem no sábado à noite para sair em busca de paquera, de quem se vale do aplicativo Tinder na esperança de achar sua cara-metade, de quem se matricula em todos os cursos prevendo que dali será pinçado um candidato a marido ou a esposa, de quem pede aos amigos para que lhe apresentem solteiros e solteiras à disposição, lembrei de todas as artimanhas justas e válidas para que a pessoa se recoloque no mercado amoroso, numa ânsia também justa e válida de preencher seu vazio emocional – só que o justo e o válido não são mágicos.
Aquilo que vem por encomenda, atendendo a pedidos, pode, claro, satisfazer plenamente seu desejo. Quer casa, comida e roupa lavada? Tem quem ofereça. Quer companhia para o cinema? Aos montes. Quer sexo e nada mais? Comece a distribuir senha. Se você está consciente do que procura, encontrará alguém que se encaixe no seu ideal de relacionamento. Funciona mais ou menos como uma entrevista de emprego.
Justo e válido.
Porém, amar é encontrar aquilo que não se procura. Aquilo que surge sem explicação, que não tem lógica, e contra o que não adianta lutar: nenhuma resistência é suficiente. Amar é puro fascínio. Você cruza com uma pessoa que talvez nem equalize com seus sonhos, mas é com ela que se deu o click, o curto-circuito, que algo foi despertado. A mágica está no que não veio por encomenda, nem atendendo a pedidos, nem no momento certo, nem mesmo pegou você de banho tomado – é um flechaço do Cupido, que às vezes é ruim de mira, mas ao menos tem boa intenção.
Esqueçam um pouco de si mesmos. Permitam-se parar de querer, de procurar, de se preocupar. Sem planos e sem ânsia, aguardem calmamente a chegada do que nunca pediram.
Perfeito! Talvez nem precisássemos
dizer mais nada depois dessas palavras. Mas me darei a audácia de fazer algumas
ressalvas.
A luz que eu precisava para concluir
que a pessoa ideal que tanto buscamos por aí é essa: talvez não possa ser
encontrada quando estivermos querendo achá-la. Afinal, como bem já disse alguém:
“Quem procura, acha”. Sim, acha. Mas acha aquilo que estava procurando: uma cia,
um companheiro(a), uma amigo(a), uma cara-metade, um parceiro(a) para o quer
que seja: curtir, esquentar-se no frio, sexo, amizade colorida, atividades
afins. Quem procura sempre acha aquilo que quer.
Está por aí, em todo lugar, todos fazem
questão de expor quem são, do que gostam,o que querem, que preferências tem. Em
perfis na internet, em variadas redes sociais, em bate papos informais a
pergunta: “Mas e aí o que procura por aqui?”
E a resposta é dada. Oportunidades aparecem. E
até satisfazem, como não? É o que se está procurando.
Mas quem disse que o AMOR será cópia
fiel daquilo que procuramos? Será a perfeição composta por todos os mínimos
detalhes, atributos e elementos que delineamos para a nossa alma gêmea. Aqueles
tão específicos que é possível que não encontraremos nunca, tamanho a
singularidade que formamos em sua imagem. Vários pedacinhos de coisas distintas
e talvez não interligadas a compor a pessoa dos nossos sonhos.
Porque tudo isso ainda me levou a outra questão:
a pessoa ideal.
Aquela que todo mundo espera
encontrar, a pessoa certa, o príncipe encantado e a princesa dos nossos contos
de fadas da vida real.
Já pararam pra pensar que talvez a
pessoa ideal não seja a pessoa perfeita? Não seja quem almejamos? Da forma que desenhamos
em nossas mentes, com todos aqueles aspectos que costumamos procurar por aí
quando elencamos elementos de avaliação de possíveis relacionamentos? Com todas
as características singulares e bem definidas que esperamos?
É amigo, acreditou mesmo que nessa
vida tão incerta, isso seria assim fácil de compreender? Tão fácil de delinear?
Peraí, deixa eu fazer um retrato falado da pessoa ideal aqui. Carrego no bolso
pra quando eu encontrar por aí.
Para encontrar aquilo que nos desperta
os olhos da alma e do coração, talvez é preciso estar distraído o bastante. E
atento o suficiente para identificar os sinais.
Não está em prateleiras de
supermercado, em liquidação nos shoppings, nas outlets , por aí sendo exposto,
comercializado. É artigo raro, de luxo. Mas deixamos claro, não se vende nem em
delicatessem, lojas caras.
Não se vende. Não se compra.
Conquista-se. Descobre-se. Sente.
Esse sentimento que procuramos, chamado
de AMOR, não se acha com facilidade por aí.
Mas o momento certo? Não há. Provavelmente
ela aparecerá no pior momento. Que será o melhor futuramente.
Local definido? Não tem.
E por que não, nesses canais e nessas
tentativas que nossa autora citou em seu texto?
Podemos tropeçar nele ali na
esquina, encontrar num aniversário de criança que nem estávamos com vontade de
ir, tomando um café numa padaria, limpando o vidro do nosso carro no posto de
gasolina, lendo numa praça, apertado em um ônibus, podem ser colegas de
faculdade, em festas, em aplicativos, em redes sociais, no meio do mato, em uma
viagem, enfim, basta não estar procurando.
Basta: sentir bater. Sentir de
verdade.
Como reconhecê-lo? Só saberá quando
encontrar um, não terá dúvidas.
A pessoa ideal será aquela que estará
ao teu lado, por vontade própria. Sem amarras, sem cobranças, sem perturbações,
sem regras pré-estabelecidas, elas não serão necessárias.
A pessoa ideal é aquela que verá teus
defeitos, quem não os tem? Mas pra ela eles não fazem qualquer sentido, pois
estar ao teu lado transcenderá qualquer dificuldade imposta por eles e ela não precisará
“engoli-los”. Vai amar tuas perfeitas
imperfeições Ela não vai querer mudar a tua personalidade, a tua essência, ela
vai te amar, exatamente como tu és.
Porque tu não és o que ela almejou, o
que ela buscou, tu és o que ela amou/ amará.
Teus vazios encaixarão perfeitamente
nos excesso dela. Ela vai ter vontade de te ver e também de te deixar com
saudade, de te deixar livre um pouco, te deixar respirar. Como diz uma cara
amiga: o amor liberta.
Ela vai te apoiar em qualquer situação em que
analisar que será melhor e benéfico pra ti, nunca vai querer te puxar pra
baixo, te atrasar, te bloquear.
A pessoa ideal, talvez não será aquela que tu veneraste
em teus pensamentos, talvez nem tenham tantas coisas em comum, tantos gostos
afins, mas de alguma forma, de qualquer forma ela vai te agregar, trazer coisas
que tu ainda não sabe, não viu, não viveu. E assim que se completarão. E assim
terão um encaixe perfeito, mesmo que imperfeito.
A pessoa ideal vai ser única pra ti e
tu pra ela. E então saberão. “Saberão-se” um do outro. E nada mais a partir dai,
fará o sentido que fazem um pro outro.
Isso é amor. Isso não se procura, não
encontra, isso acontece.
E, não se engane, é raro.
Desfaça essa busca. (Des) procura.
(Des) constrói a pessoa ideal. (Des) mistifica o conceito de AMOR.(Des) prende
daquilo que almejas.
E te surpreende com a vida , deixa ela te (des)
encontrar.
(Anelise Passos)
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