Por isso escrevo (rei)

Escrevo sem pensar nas pontuações, pois na minha vida há sempre vírgulas e é nas reticências que eu deposito toda a minha esperança.
Escrevo e não me preocupo com concordância, pois qual há? Onde ela está aqui na minha alma agora?Palavras são retratos da alma, daquilo que há mais profundo e mais intocado.
Escrevo sem saber se faz sentido. Pois que sentido há em entender o incompreensível?
Escrevo sem me preocupar se essas palavras serão levadas a diante, serão reproduzidas por aí. Almejo esvaziar a alma, desentupir de excessos, mesmo que eles saiam daqui pra o nada. Que seu destino seja pairar por aí, sem rumo.
Escrevo sem compromisso com nada , nem ninguém. O único compromisso que existe aqui é com a fidelidade aos meus sentimentos e conclusões.
Escrevo sem escolher as palavras, sem medi-las. Meus excessos transbordam, meus vazios são profundos, não há medição. Não há definição.
Escrevo sem me preocupar se me repito. Sou contínuas repetições de mim mesmo.
Escrevo porque acredito que a escrita é a forma mais legítima de expor a essência daquilo que se é. Embora palavras não traduzam sentimentos complexos, escrevo para buscar tradução e compreensão.
Escrevo porque é a forma mais eficaz de desatar os nós na garganta. De expulsar aquilo que não cabe.
Escrevo sem medo de ficar vazia. Pois fico cada vez mais cheia de mim.

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