Reticências

Você não está sozinho nessa. Nunca esteve.

Lembro de nós dois.
Você me falando de você, eu nem sabia o que dizer, mas sentia a dor que morava ali. Eu sabia que era não era minha. Mas me doía mesmo assim. E eu dizia: calma, meu querido, calma! E achava que poderia resolver todos os teus problemas mais profundos com meu carinho, meu sentimento, minha verdade. Você se  afogava em mágoas, eu te salvava e acabava me afogando também. Você estava perdido. E eu? Perdida também. Dentro dessa história. Embrenhada nesse sentimento, emaranhada nessa situação.
Eu deixo você morar em mim. Se me deixar morar em você. Encaixa meus excessos nos teus vazios. Tenho vazios bastante pra ti. E assim seguiremos juntos nesse caminho incerto ( e quase injusto) que a vida traçou pra nossas histórias.
Tão juntas e tão separadas. Tão tua, tão minha. Mas não nossa.
 E será que um dia chegaremos, afinal? Será que essa estrada , embora com  diferentes rotas, terminará no mesmo destino?
Mas ao longo da viagem, não esquece de contemplar a beleza da paisagem. E não tropeça em pedras inúteis, a fim de não atrasar a tua chegada, a fim de não causar desencontros.

Sobre esses forçados pontos finais que foram colocados em nossas histórias, eu risquei  algumas vírgulas e sobre o fim propriamente dito, eu coloquei reticências.  

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